domingo, 24 de novembro de 2024

CONFISSÕES DE UM ASSALARIADO

Tenho um passado que prefiro esquecer,
um presente que me faz sofrer
e um futuro que jamais vou viver.

Todo meu tempo de vida
 perco  trabalhando
por um salário de merda
e por uma existência precária e incerta.
Minha única espectativa é morrer.

Mas na contramão de tudo
ouso querer  outra vida,
 outro tempo e mundo,
onde eu possa  fazer mais do que sobreviver.
Sonho febrilmente com um dia que não verei nascer, mas que faz ser.













domingo, 17 de novembro de 2024

OS DIAS NUBLADOS DE AGOSTO


Nada se espera
dos dias nublados de agosto
onde a vida segue difícil
e qualquer mudança
 parece impossível.

Nada acontece nos dias nubrados de agosto
enquanto as frutas apodrecem na feira
e a grama cresce impune no quintal do vizinho.

Mas logo será meio dia,
meia noite,
 setembro
ou véspera de fim do mundo,
além dos dias nubrados de agosto.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

QUANDO A VIDA NÃO VALE A PENA

Há qualquer coisa triste, 
urgente e ilegível , 
no fundo de toda rotina. 

 Qualquer limite, 
qualquer angustia 
ou vontade romper com o mundo,
 inventar outros tempos, 
outra vida, universo 
ou, simplesmente,
 acabar com tudo. 

 Afinal, a vida não vale a pena 
diante de uma realidade tão pequena
onde todo dia
 é véspera de fim de mundo.


TEMPOS DE QUASE FIM DE MUNDO



São tempos de novos fascismos
e velhos autoritarismos
onde o preconceito e o racismo crescem livres no quintal do vizinho.

São tempos de más notícias,
de falta de perspectivas,
de conformismo, impotência,
 futuros perdidos e sonhos abandonados.

Mas também são tempos 
de outros mundos possíveis,
onde é urgente  ultrapassar limites,
desacatar a lei, a ordem e o capitalismo,
  confrontar de uma vez por todas  o que nos foi imposto como possível.

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