segunda-feira, 21 de abril de 2025

NOVÍSSIMA INDIGÊNCIA

Quero uma vida sem CPF,
conta no banco, casa,
casamento ou diploma.

Quero uma vida livre 
de deuses e Estados,
onde seja possível
viver sem presente,
passado ou futuro.

Quero uma vida
onde meu corpo
possa algo mais
que trabalhar, comer,
 descansar e morrer.

BIOLOGIA TRANSCENDENTE

Não confio na vida,
no mundo, em deus,
ou nas mentiras da sociedade.

Não acredito em nada que dizem,
além do caos 
da mais simples biologia.

sábado, 19 de abril de 2025

SOBRE O FUTURO

O futuro morre e renasce,
é o que nos mata
e o que nos transcende
no abismo de cada momento.

O futuro é o passado
que apodrece dentro da gente.
É o que não  tem sentido,
o que  escapa
entre mortos e feridos.

O futuro é o que sobrevive
na contramão da gente .

quarta-feira, 16 de abril de 2025

MIL DIABOS



Preciso ter a coragem
de mil diabos 
para suportar a brutalidade 
dos dias,
para não sucumbir a melancolia.

Preciso sentir a revolta 
de mil diabos 
para lutar pela vida,
na contramão do cansaço
e da minha agonia.

Preciso ser como mil diabos
para afirmar contra o mundo
a potência da rebeldia e da poesia.

terça-feira, 15 de abril de 2025

NINGUÉM

Nunca pretendi  ser alguém na vida,
 corresponder a expectativas
ou ser fiel a qualquer ideal moral.

Quero jamais pertencer a rebanhos,
não me curvar diante de deuses,
juízes e reis.

Minha intenção é sempre ser nômade,
 livre e anônimo,
convictamente um  ninguém,
perdido no desabrigo da própria existência.



quarta-feira, 9 de abril de 2025

PROCURO UM CHÃO

Procuro um chão
que não seja caminho,
que não tenha limites
ou me prenda a um destino.

Procuro um chão 
onde os meus  pés 
sejam livres
na intuição do mar e do abismo.

Procuro um chão que me ensine
um andar sem rumo na imaginação do infinito.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

A MISÉRIA DA CARIDADE

 
 A humilhação da caridade
rouba a dignidade de quem passa necessidade.

Contra a duvidosa generosidade
dos que se alimentam de nossa pobreza 
é preciso inventar outra sociedade,
sem ricos e pobres,
onde a vida seja  para todos
e não um privilégio de poucos.

Onde falta pão 
 é preciso alimentar  revoltas,
exigir justiça e desprezar  esmolas.
É preciso afirmar autonomias 
 onde nos é imposta a escravidão
para que a necessidade não se faça prisão.