segunda-feira, 27 de maio de 2024

NO LIMBO DA MADRUGADA

A luz pálida do abajur da sala
ilumina minha insônia,
mas apaga o tempo morto
que jaz no corpo da madrugada.

É cedo demais para acordar,
dormir ou sonhar.
É quase impossível viver,
apesar de tantos dias seguintes.

Existir está sempre por um triz
nos labirintos de tantas rotinas e preguiças.
Talvez, eu morra de tédio pela manhã.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

LIXO E CAPITALISMO

Hoje em dia 
a existência se resume a trabalhar, gastar, obedecer e morrer
enquanto o capitalismo 
apodrece o mundo,
mata o futuro
e reduz tudo a lixo.

Somos, definitivamente,
a civilização do lixo
e do inútil.

Tudo para nós é provisório e descartável,
principalmente a vida
que se desfaz em silêncio 
no tempo que
 nos é roubado 
através do trabalho.

Tudo agora é descartável
e existe pra virar  lixo.










segunda-feira, 6 de maio de 2024

MEU DIA SEGUINTE

Meu dia seguinte não será limitado
por nenhuma rotina 
ou tutelado pelo Estado.

Não cabe no susto,
no acidental e no inesperado
que sustentam rotinas,
mas sabe ser na apoteose redentora do acaso.

Meu dia seguinte 
há de ser imprevisível,
indefinível e
ingovernável
nas possibilidades do infinito.

quarta-feira, 1 de maio de 2024

A PAZ DO SONO E DO SILÊNCIO

Queria dormir pelo resto da vida.
Esquecer o passado, 
não pensar no futuro,
e ignorar o presente,
até que o tempo se esgote 
para todo sempre.

Queria ignorar a realidade,
o mundo e todos os seus absurdos,
e, principalmente, 
a Vontade que nos move e transcende.

Queria não  querer, 
não pensar,
não ser gente,
e, simplesmente,
dormir
como se viver
fosse um sono,
a paz de um silêncio 
que através de nós 
se faz para sempre.