segunda-feira, 7 de abril de 2025

A MISÉRIA DA CARIDADE

 
 A humilhação da caridade
rouba a dignidade de quem passa necessidade.

Contra a duvidosa generosidade
dos que se alimentam de nossa pobreza 
é preciso inventar outra sociedade,
sem ricos e pobres,
onde a vida seja  para todos
e não um privilégio de poucos.

Onde falta pão 
 é preciso alimentar  revoltas,
exigir justiça e desprezar  esmolas.
É preciso afirmar autonomias 
 onde nos é imposta a escravidão
para que a necessidade não se faça prisão.











terça-feira, 25 de março de 2025

FUGA N°1

É sempre tempo de esquecer,
recomeçar, sonhar.
Mesmo sem sair do lugar,
sem ter alternativas
ou saber o que fazer.

É sempre tempo de terminar,
fugir, desistir, desaparecer.

É sempre tempo de esquecer
quando é quase impossível viver.

quinta-feira, 20 de março de 2025

PEDAGOGIA DA FOME

Gosto de comer feijão.
Eis tudo que me define.
Todo o resto é ilusão.

Sou apenas alguém 
que gosta de comer feijão.

A fome me ensina o limite da vida,
a escassez dos dias,
a falta de um pão.

Tudo que importa
é que eu gosto de comer feijão.

quinta-feira, 13 de março de 2025

A VIDA É...

A vida não funciona
como nos ensinaram na escola.

A vida não é boa.
É bruta e injusta.
As vezes também  é má.

Ela é como coletivamente somos.
É o que nos tornamos.

A vida é o que se impõe de fora,
é o que nos transforma,
o que nos faz chorar.




ATREVA-SE A VIVER


Apesar da rotina,
da lei, da ordem,
e dos rasos fatos
do noticiário,
tenha a ousadia
de resistir e sonhar.

Questione o Estado,
a Igreja e o Capital.
Atreva-se a rir,
transcender o real.

Faça a vida
acontecer na rua,
saber outras vidas.
Não perecer
no deserto do agir racional.



segunda-feira, 10 de março de 2025

TENHA A CORAGEM DE FRACASSAR

Tenha a coragem de correr riscos, 
de perder, cair, errar, não conseguir. 

 Tenha a coragem de fracassar. 
Não vale a pena vencer, 
ser bem ajustado em uma sociedade de merda. 

 Há muita dignidade no fracasso.

quinta-feira, 6 de março de 2025

FANTASIA LÍRICA

Lembro o tempo em que a vida era mais simples,
sem o peso de tantas verdades, realidades,
incertezas e compromissos.

Lembro o tempo onde me bastava estar entre o céu e a terra,
quando quase tudo me parecia possível
e havia encanto e beleza nas pequenas coisas do meu dia a dia.

Lembro o tempo em que  o mundo, simplesmente, existia e não me pesava por dentro tanta melancolia.
Talvez, no fundo deste  tempo, 
o melhor de mim ainda persista
como uma promessa antiga.