segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

DESERÇÃO NIILISTA

Não vejo notícias no telemóvel.
Não me embriago de fatos,
nem reduzo o real a espetáculo.

Não quero saber de tudo,
ter respostas na ponta da língua
para os dilemas e absurdos da humanidade.
Não tenho qualquer pretensão 
a salvador do mundo
 ou ser um herói aos olhos da  sociedade.

Afinal, não sou branco,
moderno ou moderado.
Não acredito no Estado,
no poder ou na sabedoria
de antigas escrituras
 ou grandes tratados.

Sou um simples desertor da humanidade,
um niilista avesso a lei, a ordem e a verdade,
sonhando com o alívio de uma grande e inevitável desastre
que ponha , de uma vez por todas,
um fim a era da razão,
 do poder e da ambição de uns poucos afortunados.











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