segunda-feira, 13 de junho de 2016

CANÇÃO DE GUERRA

O vento que habita a noite
Alimenta o medo que vive no olhar.
Nada é o que parece ser,
Apenas a incerteza é certa.
Hoje não será uma boa caminhada.
Confie em seus medos.
O vento chama o frio
E reinventa a ancestral solidão
Que permeia todas as coisas.
Por isso não pare
E nem olhe para trás.
Hoje é um dia ruim.
E não há tempo para tristeza e dor.
Não se intimide com as dificuldades.
Até mesmo a fragilidade pode ser uma arma.
Continue em frente.

Pegue mais uma bebida.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

APENAS NÃO ME CHAME

Sempre tive um pé na realidade e outro na fantasia. A mera existência nunca foi para mim suficiente. Nunca acreditei em nenhuma verdade que não me escapasse entre os dedos, que não se mostrasse provisória.  Sei que a revelia de todas as minhas certezas, a vida sempre segue em frente, contrariando todas as minhas vontades. Então pouco importa os rumos das minhas convicções. Tudo é circunstancial e irrelevante. Da chama de hoje o amanhã fará cinzas. Deixe-me  aqui em paz  e desfeito em mim mesmo explorando o avesso dos meus pensamentos entre uma garrafa e um maço de cigarros. Faça o que bem entender. Apenas não me chame.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

FRIO E PREGUIÇA

Gosto de dias de chuva e frio,
De ficar soterrado em cobertas
Esquecendo o tempo em imemoriais preguiças.
Pouco me importam as exigências do momento.
Gosto de inercias, vontades quebradas
E de alguns goles de café quente.
Minha existência se torna abstrata
Na minha enorme preguiça de ser gente.
Gosto de dormir e esquecer,

Não ser.

terça-feira, 7 de junho de 2016

INÉRCIA MATINAL

Pela manhã,
Ainda inerte,
Adivinho no conforto da cama
Todos os instantes do dia
Que chega.
Nada será diferente de ontem.
Lá fora me esperam apenas
As  mesmas agonias,
Os mesmos limites, duvidas,
Angustias e opiniões.

O mesmo trabalho,
As mesmas pessoas
E obrigações
Me esperam no vazio do escritório.
Enquanto eu, dilacerado e incerto
Não sei mais direito
Se quer de mim mesmo.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

A SOBREVIVÊNCIA É UMA QUESTÃO DE SEMPRE ESPERAR O PIOR

Sempre havia o risco de mudanças.
As coisas podiam piorar,
Não importa o quanto parecessem ruins.
Isso sempre me deixava aflito
Diante das  piores conjunturas.

O cigarro e a bebida
Não me  ajudavam a esquecer
O risco constante
De descer mais um pouco
No poço.

Quem já passou por dias ruins
Sabe que deve estar sempre pronto
Para suportar um novo golpe do destino.
Apenas tentamos 
Evitar que ele seja fatal....

Sobreviver é tudo que importa.
Não importa como.

Este é o principio mais elementar da existência.

O INSTANTE DE UM CIGARRO

Quero um cigarro agora.
Ficar aqui parado
Esperando por nada,
Me cobrir de fumaça,
Indecisões
E algumas inúteis abstrações.
Os carros passam mudos
Pela rua,
As pessoas poluem o ambiente,
E a cidade acontece.
Da minha parte,
Faço deste cigarro o meu refugio.


quarta-feira, 1 de junho de 2016

PENSAMENTO E EXISTÊNCIA

Enquanto eu buscava respostas
As coisas simplesmente aconteciam
Contrariando todas as minhas expectativas.
Assim era vida,
Tudo parecia conspirar contra minhas teleológicas apostas,
Era como me aventurar em um jogo onde não dominava as regras.
Por isso evitava grandes expectativas.
Todos os meus questionamentos não passavam de uma estratégia
Para relativamente refutar a existência,

As contradições do mundo e a inutilidade das convicções.