quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

A TRISTEZA QUE NOS FREQUENTA


A tristeza que hoje nos frequenta
Contamina até  mesmo nossa alegria.
Ela é  sintoma de uma ausência, 
De uma falta de si,
De uma perda do mundo e da vida,
Que transcende a mera melancolia.

Ela é uma quase indiferença, 
uma intuição de potência,
Que se faz intensa onde insistimos
Em viver com naturalidade
O absurdo de nossas rotinas.

A tristeza que hoje nos frequenta
É expressão direta de nosso inconformismo,
De nossa vital necessidade de mudanças. 




PREGUIÇA




A preguiça me pesa nas costas.
Não como  indisposição,
mas como um sentimento de vazio,
como niilismo,
como uma ciência da degradação dos fatos e do seu desvalor,
Como a intuição de uma realidade caduca
Que dispensa qualquer atenção.


domingo, 12 de janeiro de 2020

ORGULHO DE SER PREGUIÇOSO

Não  me adapto as circunstâncias, 
Pouco faço  para superar dificuldades
não sou movido por nenhuma ambições. 

Fora isso, sou miserável, fraco e covarde.
Não  nasci para ser herói.
Minha maior qualidade
É  a gula e a preguiça. 

Eis o segredo da minha paz
E felicidade.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

SOBRE AUTENTICIDADE

Viver uma vida inteira sem inventar-se como alguém  inédito é  o grande destino da maioria. Somos educados para não sermos originais, para o conformismo ao jogo social. Paradoxalmente,  somos reconhecidos como indivíduos apenas quando nos devíamos  de nossa singularidade, quando nos tornamos banais, comuns, sem imaginação. Para nós  a singularidade ( individuação) é  uma estrategia existencial de fuga , uma personalização libertadora. contra ao individualismo massificado ao qual estamos condenados.

AMARGA ROTINA

A poeira dos dias inúteis 
Cobre o futuro,
Soterra possibilidades,
Desbota o amanhã e os sonhos,
Deixando triste a realidade.

Tudo é  estagnação  e rotina,
Eterno retorno de uma agonia
Que nos consome aos poucos.

Estamos condenados a um inutil presente 
Que nos consome a juventude e a vida,
Onde é  sempre tarde demais para a poesia.






segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

FUGA

Fugir de mim mesmo é  uma estratégia de redenção. 
A vida é mais intensa onde me embriago,
Onde não  me reconheço, 
E desprezo o mundo,
Inventando mil maneiras de não ser eu.

A vida pulsa onde não há certezas,
Onde as palavras não funcionam 
E a poesia tem gosto de anti matéria.


SEM IMPORTÂNCIA


Ainda ontem,
tudo parecia impossível.
Não havia saída
ou qualquer esperança.
Hoje, entretanto,
isso já não tem importância.
O problema perdeu o encanto
e deixei de buscar respostas
para dilemas que me foram impostos.