quarta-feira, 21 de abril de 2021
QUASE GOTA D'AGUA
A humanidade nunca deu certo. Nosso futuro como espécie sempre foi duvidoso. Mas depois do Covid, mas pessoas se tornaram sensíveis a situação. Alcool, cigarros, TV e anti depressivos, já não dão conta de nossas angustias e frustrações. A lei da sobrevivência já não justifica comodismos. Não sabemos o que fazer, mas estamos cada vez mais conscientes de tudo aquilo que não pode continuar a ser.
segunda-feira, 19 de abril de 2021
DIA DE RESSACA
É dia de céu fechado,
de ressaca na praia
e raiva no mar.
É dia de intensa natureza
nos pés que provam a areia
avessos ao cotidiana
de calçadas cheias
de buracos urbanos.
segunda-feira, 12 de abril de 2021
O IMPOSSÍVEL DO TEMPO VIVIDO
O agora da memória
diz o passado como futuro perdido,
como meta impossivel
que sequestra horizontes.
Meu tempo é o nunca
de um presente sempre incompleto,
de um devir das coisas e do corpo interrompidos,
condenados desde sempre
ao inatual,
ao que não foi possível
de um acontecimento incontecido e misterioso.
quarta-feira, 7 de abril de 2021
PROFECIA PROFANA
Tenho mais passados do que futuros.
Não sobreviverei ao sinistro periodo de 2020 à 2050.
Não verei a morte do mundo verdade,
ou a agonia do futuro realidade.
Mas sei que a vida nunca mais será a mesma nas próximas décadas.
As crianças de hoje serão adultas
no reino da angustia e do absurdo.
Entre tecnologias, degradação ambiental, e crise social,
o tempo será denso e mortal.
Todas as canções serão tristes,
e os poetas sonharão com o fim da humanidade.
O intempestivo será a intensidade de um devir natureza
contra o tempo podre do poder e da razão pós industrial.
Será o fim das grandes cidades,
de toda verdade universal.
Reaprenderemos a existência
com a amoralidade dos animais
e a eternidade nunca mais será para sempre
na vitalidade das coisas vivas e inanimadas.
A paz será entre nós a mais terrível de todas as guerras.
terça-feira, 6 de abril de 2021
INVOLUÇÃO
Sou um ponto perdido no caminho do acaso,
Um borrão no rosto anônimo do tempo.
Meus atos tem gosto de esquecimento.
Quase não sou humano na animalidade dos meus afetos,
nas necessidades brutais do corpo
que me faz viver.
Tenho fome, tenho sede,
incertezas e medos.
Pouco me interessa estéticas e arte.
Sou feito de natureza.
Não tenho alma ou virtude.
Sou feito de liberdade.
segunda-feira, 5 de abril de 2021
ATUALIDADE
O tempo não volta
e a hora de agora
ignora memórias.
Apenas me assombra a insanidade dos telejornais,
a barbaridades da Internet,
e o mal estar da existência.
Tudo o mais é descartavel e banal
e não vale a morte que me espera.
domingo, 4 de abril de 2021
O FIM DO HOMEM
Não há mais futuro para humanidade.
Amanhã será o fim
ou o advento do nosso silêncio.
Tudo terminará sem conclusão
e sem deixar lembranças.
A natureza será novamente absoluta.
Todas as palavras serão extintas.
E as arvores aprenderão a sorrir
na ausência do humano.
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