segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

INSIGNIFICÂNCIA

O mundo é maior que você
E como a vida
Escapa ao seu controle.
Então não se engane:
Nada é o que parece ser
E a ordem é apenas uma ilusão confortável
Aos que sofrem de preguiça mental.

Aprenda a equilibrar-se

Entre o acaso e o caos.

EMBRIAGUEZ RADICAL

A sereia sibila em torno da alegria.
A vida embriaga
E o tempo para.
O futuro foi abolido.
Estou pronto para escutar as sombras
E os abismos do céu noturno.
As estrelas gritam.
E o dia sumiu do calendário
No desregramento de todos

Os meus sentidos.

ALÉM DA TEMPORALIDADE

Já não necessitamos de exóticos paraísos futuros para dizer nossa necessidade de um amanhã positivo.
Na verdade já pouco acreditamos ou esperamos qualquer coisa do  futuro.

O sentimento do passar das coisas acelerou-se tanto que transcendemos o tempo cronológico e linear.
O próprio passado agora mais parece um sonho do que algo que realmente aconteceu.
Não erguemos monumentos e não dialogamos com a posteridade.

O presente é cada vez mais absoluto e inconsequente.

A vida é feita apenas de tudo aquilo que pode acontecer na superficialidade deste mero instante.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

IRONIA DO AMOR

Hoje em dia as pessoas “amam” mais por vaidade do que pelo reconhecimento do outro como uma aventura de si mesmo.
Quando vaidoso o amor não passa de uma variante qualquer de egoísmo,
Quando aventura de si mesmo ele representa a ousadia de se perder no outro.
Nenhum dos dois casos resultará em felizes amantes.
Pois o amor só faz sentido

Quando  falha.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

INSIGNIFÂNCIA

As vezes quase não me reconheço em mim mesmo.
Faço e falo coisas que não queria
E viro do avesso minhas certezas
Só para ver
Se alguma coisa nova
Me modifica a vida,
Me traga mais do que  a mesmice
Desta rotina aborrecida.
Mas o eu é uma prisão,
Uma imposição da percepção limitada
Do menos que o nada

Que me define no universo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

SENSIBILIDADE TRÁGICA

O Tempo diariamente me desafia a não nos conformar com as exigências da vida cotidiana, com as obrigações sem alma e vazios de rotineiras e fúteis estratégias de mera e elementar sobrevivência.

O mesmo Tempo, entretanto, também nos mata, nos rouba todas as certezas e desconstrói constantemente aquilo que realizamos, escamoteando qualquer possibilidade de mergulhar no superficial dos atos e fatos em busca de qualquer coisa que nos refaça, que nos permita acontecer no mundo de uma forma inteiramente outra de nós mesmos.

O Tempo nos rouba qualquer segurança...

Atônicos nos refugiamos no momento de agora, que é sempre um outro em seu constante acontecer ilegível que desesperadamente procuramos domesticar.
Mas a verdade é que cada vez menos somos senhores de nossas vidas.

As imaginações se impõem as nossas vontades.


ABANDONO DE EXISTÊNCIA

Tenho adiado indefinidamente
Algumas questões urgentes
Acumulando silêncios e ruínas
Em meu mínimo cotidiano.
Não me lembro de quando
Perdi meu rosto no espelho
E deixei meus passados quebrados
De lado.
O fato é que em algum momento
Naufraguei em mim mesmo,
Desacreditei de planos e sonhos.
Foi  então que a vida
Se revelou 
Como uma desafiadora esfinge
a oferecer o mundo como enigma.