quinta-feira, 5 de março de 2020

REFLEXÃO MATINAL

E tudo se resume nisso:
Uma manhã triste,
Um café, 
Um cigarro,
E muitas agonias,
No latejante pensamento
Enterrado no imediatismo do agora.
Velhas esperanças me fazem seguir em frente.
Mas isso não significa nada.

quarta-feira, 4 de março de 2020

COTIDIANO DE CASERNA


A noite julga o dia,
Lamenta a rotina,
E sucumbe ao cansaço. 

Há  sempre alguma melancolia 
No sonho e na madrugada
De quem sabe o cotidiano
Como uma prisão abstrata.



segunda-feira, 2 de março de 2020

DIAS INÚTEIS



Há dias em que nada me interessa,
que prefiro não sair da cama,
e nada de humano faz sentido,
como se fosse  sábado
ou domingo.

São dias selvagens
onde a existência perde qualquer densidade,
substancia ou urgência,
e tudo se reduz ao vazio
do tempo que passa
contra os dias uteis da semana
Na inutilidade da minha presença. 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

CONTRA MUNDO


O mundo acontece do lado de fora da minha  vida.
 Nele a existência envelhece e se degrada como memória. 
Contra ele guardo no corpo as marcas abstratas de vidas jamais vividas.
Pois sei no desejo o impossível dos meus dias.
 Sonho a  virtual alegria de ser improdutivo e banal,
Uma eterna criança  em devir social.
O mundo pouco me importa na metafísica da imaginação criadora.



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

MINHA TRISTEZA

Minha tristeza tem cara de festa em dia de chuva.
Quase não  me perturba. 
Só  tumultua a alegria dos contentes
Que seguem sorridentes 
Por motivo fútil.

Minha tristeza é  meu ser inadequado,
É  um sempre estar com fome de protesto
e indignado.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

A MISÉRIA DO TRABALHO



Nada de paz,
nenhum sossego.
Apenas mais um dia,
outra agonia,
exatamente igual a anterior.

Sempre o mesmo do mesmo,
o absurdo domado,
naturalizado,
como uma alegria podre.

Sempre o trabalho sem alma,
o prazer requentado
e dentro da norma.

O NÃO LUGAR DO SOFÁ



Durmo sempre no sofá da sala de estar,
no centro da casa velha,
onde todos os abismos
definem a incerteza do lar,
onde me invento sem lugar
até o limite do desabrigo.