quarta-feira, 23 de setembro de 2020

PESSIMISMO

Futuros e sonhos
Que se perderam da realidade
Rescrevem o passado,
O presente e o possível.

A vida ficou reduzida
A estreiteza
De um beco sem saída.

A esperança dobrou a esquina.
Nunca mais deu notícias .

domingo, 20 de setembro de 2020

SONHO E IMANÊNCIA

Os dias passam
Entre tédio, cigarro e rotina.
E a vida segue indiferente, inexplicável e quase ilegível,
Na banalidade dos fatos rasos
E persistências oníricas.

Socialmente inventamos fatos,
Normas e significados 
Para administrar o caos da existência.

Mas nada mais faz sentido
Além do desejo e da resistência 
Contra o real e o banal da experiência, 
Em nome do afeto,
Do imaterial,
De qualquer outro modo de ser
Em devir e imanência. 
Nos seduz a intuição 
De uma nova terra
Entre o inefável  e a matéria.
É nela que se inventa o corpo,
A praia e a areia
Do desconhecido de  um mar encantado.



A VIDA NOS MATA AOS POUCOS

Acho que o cigarro mata menos que a vida, que a solidão,  a angústia, ou, simplesmente, que o insuportável dia a dia.
Onde apenas sobrevivemos a existência pouco significa e a morte desponta no horizonte como uma esperança de libertação. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

A TERRA DOS PÉS

Levo uma terra sem nome
No rosto dos pés. 
Lugar contra o chão, 
Indiferente ao céu
Que reinventa meus passos
Na contramão da cidade. 

Sei o espaço aberto 
De um chão futuro
Inumano e selvagem.

Sei que em  um dia qualquer
A natureza
Nos livrará do pesadelo da humanidade. 

Só  então será possível
Inventar em nós 
Territórios vivos 
De absurda liberdade.




domingo, 13 de setembro de 2020

SEM FUTURO

Hoje em dia 
A vida segue 
E o passado cresce
Sem tempo para o futuro.

 Um dia novo nunca amanhece
Na data morta do calendário.

É sempre a angústia do hoje e sempre,
Que nos escraviza ao passado e ao presente
De um tempo estagnado, 
Conformado aos limites do possível.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

CONFORMISMO

 


 

Não sei dizer

o preciso momento

no qual me perdi da infância

Acabou o encanto,

e tudo virou rotina.

 

Não faço, mesmo,

qualquer ideia,

de quando comecei a morrer,

e segui conformado

dentro do tempo

indiferente ao futuro e ao mundo,

Sem saber o que é  a vida.

 

.

 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

AUTO RETRATO

Sou o resultado dos meus fracassos,
Dos meus medos,
Das minhas angústias
E decepções .

Sou a sobra daquele outro
Que através do tempo
Nunca se tornou eu.

Sou o esboço, 
O eterno rascunho,
Daquele que nunca serei. 

Sou provisório, 
Anônimo e indigente.
Nada espero de mim 
Ou do mundo
Na arte de quase ser eu.