segunda-feira, 15 de novembro de 2021

AS ARTIMANHAS DO TÉDIO

Meu tédio é o protesto da desmobilização banal,
um manifesto contra o desejo, contra o consumo,
 contra as significações,
ações, certezas,
verdades, e discursos,
que produzem o mundo atual.

Ele é o estandarte da minha recusa existencial
a participar do absurdo
de uma existência vegetativa e banal
onde nada é normal
e tudo conduz a nadificação
e ao sono universal.



quinta-feira, 11 de novembro de 2021

O SONHADOR

Vivo de sonhos pequenos,
vontades preguiçosas e imaginações niilistas.
 
Vivo para morrer um dia 
sem deixar vestígios. 

Mas existir é sonhar a si mesmo
esperando o impossível. 
Então,sigo sorrindo delírios 
em direção a qualquer precipício.





segunda-feira, 8 de novembro de 2021

NIILISMO PARA PRINCIPIANTES

Você pode dar a volta ao mundo,
estudar a vida toda,
criar teorias, 
inventar conceitos,
e embriagar-se de mega certezas. 
Mas, no fundo,
admita ou não, 
o mundo permanecerá
como o seu mais intimo desconhecido
e a vida seguirá em frente,
indiferente,
a todas as suas conclusões. 


O DESPERTAR DA NOITE

A noite acordou na pele das coisas,
como uma intensidade estranha,
um sentimento de incerteza
da realidade de tudo.

É possivel saber a noite em estado bruto,
clara como a lua,
antecipando infâncias futuras
na intoxicação de um antigo perfume de floresta virgem.

O mundo torna-se incerto,
indeterminado e vago,
nas horas caladas da madrugada.
É quase sem substância 
como o eu sem rosto
que acha que o interpreta
sem saber que é um reflexo preso aos cacos de um espelho quebrado.

A noite é barroca.
Um jogo de claro e escuro,
na nervura das curvas,
das dobras e labirintos
que preenchem o vazio
de uma janela aberta
em fragmentos de um cenário ausente.

A noite me veste de luto,
me embreaga de absurdos,
e me reconstrói no esboço de um outro
sentado na margem oposta do rio onde descansa em paz uma razão madastra.
Ela está tatuada na pele das palavras que me reinventam,
desregrando os pensamentos diurnos.
 Contra ela a  noite se refaz como um mar aberto,
assustadoramente profundo,
que submerge a cidade
na expectativa de uma grande festa.



 

domingo, 7 de novembro de 2021

DIA VAZIO

O dia tem gosto de preguiça e morte,
enquanto os carros correm nas avenidas,
e as crianças vão para escola
aprender melancolias.

Agora mesmo,
há velhos morrendo 
e jovens desempregados,
enquanto algum alienado
brinca com seu telemóvel. 

Todos sabem sobre o colápso ambiental,
mas veneram o caos da cidade pós industrial.

E tudo segue dentro da normalidade,
como se o mundo não  fosse um caos,
como se o dia fizesse sentido
e nossa existência não fosse absurda. 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

A VIDA

A vida escapa, 
se espalha,
se perde,
e não pertence
a ninguém. 
Pois é nada,
pulsão, 
inconsciência,
alucinação
que nos rasga.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

DESMUNDO

O mundo é o destino de todos
e de ninguém. 
Um mundo cada vez mais mudo,
enterrado em paradoxos e absurdos,
um mundo quase todo desmundado,
onde já não cabe mais
a VIDA,
de cada um e de todos
na existência dos signos.