terça-feira, 12 de julho de 2016

PEQUENO ROTEIRO EXISTENCIAL

Meus atos silenciosos
Percorrem o manso absurdo das coisas vividas.
frequenta castelos de areia
Enquanto o desespero inventa uma casa
No meio da ventania.

A felicidade se matou agora a pouco
Depois de assistir ao suicídio do infinito.

A vida é o aqui e o agora.
Nada demais,
Nada de menos.


sexta-feira, 8 de julho de 2016

O PARADOXO DO CAMINHANTE

Para onde vai meu caminho
Sem mim?
De repente já não me acompanho.
Sigo ausente e indiferente
Aquele eu que ficou para traz
E aquele outro que já partiu.
Sou apenas neste lugar que estou
Indeterminado por minhas escolhas
 E formatado por minhas inercias.
Cada passo me atinge

Como um questionamento constante.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

PEQUENOS IMPASSES DIÁRIOS

Talvez eu devesse beber menos
E diminuir o cigarro,
Domar a insônia e abolir a madrugada
Entregando o corpo
Ao silêncio do sono,
A meta realidade de um bom sonho.
Mas o comportamento humano
Meus amigos
Não é uma questão de escolhas,
Mas um imperativo da imaginação
E dos sentimentos que nos consomem
Em abstrações absurdas.


terça-feira, 5 de julho de 2016

FILOSOFIA DA VADIAGEM

Sou feito de errâncias,
Erros e defeitos.
Gosto de vagar sem rumo,
Fazer qualquer coisa
Sem propósito
Enquanto o dia se consome
Nesta grande pasmaceira
Que é a vida.
Estou sempre seguindo minha sombra,
Habitando as estrelas e imaginações mais selvagens.
Não me queiram preso a compromissos,
Ao progresso e a razão das coisas.
Sigo meu suspiro.

Meus olhos enxergam o infinito.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

APENAS MAIS UM DIA

Depois dos quarenta anos passamos a viver de modo mais pragmático. Aquela energia e disposição para bancar impulsos e arroubos de subjetividade, para se perder nas situações mais esdruxulas e viver todas as insanidades de uma noite de porre, já não nos inspira mais. O tempo pesa no corpo e descobrimos a filosofia do menor esforço.  Não é que ficamos mais ajuizados; simplesmente já não somos capazes de dar conta de todas as nossas vontades e impulsividades.


O desejo e o prazer não valem muito depois de realizados. Mas só nos damos conta disso depois da orgia, quando nos decepcionamos com a frivolidade dos imediatismos mais banais da vida contemporânea e envelhecemos o suficiente para saber o valor do que realmente importa. Uma boa noite de sono e um dia seguinte sem grandes surpresas, pode ser tudo aquilo de que precisamos às vezes.

UM POUCO DE CIGARRO E BIRITA

Só precisava disso:
Um maço de cigarros e alguma bebida.
O resto era a vida, como sempre,
Desmonorando a minha volta.
Já estava acostumado a isso
E não esperava nada diferente.
Não nasci para qualquer coisa.
Existir é acidental,
Quase não se percebe.
Mas as pessoas se levam demasiadamente a sério.

Como são tolas.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

AS PESSOAS DEVERIAM PASSAR FOME

Quando vejo pessoas falando sobre culinária, sobre bons restaurantes e receitas, não consigo evitar certa sensação de asco e desprezo. Um bom prato é aquele que se devora com fome. É preciso ficar alguns dias sem comer direito para apreciar o sabor de uma boa refeição, pois só assim conseguimos degusta-la com o corpo todo, com a máxima satisfação dos sentidos. E não precisamos de um cardápio muito sofisticado para viver uma experiências dessas. Passa ter fome.

 Hoje em dia, para a maioria das pessoas a hora do almoço não passa de um exercício degustativo banal. Quase uma formalidade ou um ritual social. Elas não sabem o que é matar a fome, não sabem o que é comer de verdade. As pessoas deviam passar fome. Aprenderiam a apreciar assim uma boa refeição.